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Seu filho
02/10/2017 Documento da Sociedade Brasileira de Pediatria traz critérios para diagnosticar e tratar o transtorno de identidade de gênero

Você já ouviu falar em disforia de gênero? Talvez não com este nome, mas você, muito provavelmente já ouviu falar em um transtorno caracterizado pela desconformidade entre o sexo biológico e a identidade de gênero. O assunto, inclusive, se tornou tema de novela, ganhando, claro, grande repercussão.

Conforme noticiou o site da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), na visão da presidente da SBP, Dra. Luciana Rodrigues Silva, o fato da disforia de gênero estar sendo tratado em uma novela de grande audiência tem um aspecto positivo, que é o de levar a sociedade a refletir sobre questões que, muitas vezes, são tabus no ambiente familiar. Ela, no entanto, considera preocupante a forma sensacionalista que essa temática tem sido tratada recentemente pela mídia.

Segundo a médica, ressalta a complexidade desse transtorno, cujo diagnóstico definitivo depende do envolvimento de uma equipe multidisciplinar. Médicos e profissionais e famílias precisam ser informados e alertados, inclusive para o risco de decisões intempestivas e para o uso indevido de medicamentos, como o emprego precoce de hormônios sem a devida orientação clínica. Para a médica, esse assunto não pode ser visto como um fenômeno de moda. É necessário extrema cautela e zelo.

Documento

Pensando nisso, a SBP divulgou Disforia de Gênero, documento científico produzido pelo Departamento Científico de Adolescência da entidade, traz uma atualização sobre o tema e tem como objetivo assegurar o correto atendimento e encaminhamento dos pacientes. Segundo o estudo, é impossível prever se uma criança com sinais de desconformidade entre o sexo biológico e a identidade de gênero persistirá com esse problema na adolescência e na vida adulta.

Pesquisas mostram que cerca de 90% das crianças voltam a ficar satisfeitas com o gênero biológico próximo à adolescência. Apenas em alguns indivíduos – chamados transgêneros ou transexuais –, porém, permanece a percepção de incongruência entre o sexo biológico (características genitais presentes ao nascimento) e a identidade de gênero.

De acordo com o documento, por volta do segundo ano de vida as crianças já conseguem se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao seu gênero. Entre os dois e três anos, no entanto, é que tem início a construção da identidade de gênero que, segundo o texto, é uma experiência pessoal e profunda que abarca aspectos emocionais, psíquicos, culturais e sociais. Entre os 6 e 7 anos, as crianças passam a ter consciência do seu gênero e de que ele permanecerá o mesmo.

Para o presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP, dr. Cresio Alves, a disforia de gênero é revestida de inúmeros preconceitos, os quais invariavelmente afetam e interferem negativamente na vida das crianças e adolescentes. Por isso, é fundamental promover o acolhimento integral dos pacientes e seus familiares na diversidade.

O trabalho aponta a importância da aceitação de gêneros variantes e a construção de um suporte social para saúde e o bem-estar para reduzir o estresse desses nesses casos. De modo geral, o tratamento se baseia em psicoterapia, tratamento hormonal – somente em casos em que há indicação médica –, e intervenção cirúrgica, em casos específicos e após a maioridade do paciente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de transtornos de identidade de gênero exige o envolvimento de médicos clínicos, pediatras, endocrinologistas e profissionais da saúde mental. Atualmente, existem no Brasil, na rede pública de saúde, serviços ambulatoriais especializados destinados ao atendimento de travestis e transexuais no processo transexualizador.

Estes serviços devem oferecer acolhimento e acesso com respeito aos serviços, desde o uso do nome social, passando pelo acesso à hormonioterapia, até a cirurgia de adequação do corpo biológico à identidade de gênero e social. Além disso, no campo ambulatorial, inclui-se terapia hormonal e acompanhamento dos usuários em consultas e no pré e pós-operatório.

Entre 2008 e 2016, ao todo, foram realizados 349 procedimentos hospitalares e 13.863 procedimentos ambulatoriais relacionados ao processo transexualizador. Para ambos os gêneros, a idade mínima para procedimentos ambulatoriais é de 18 anos. Para procedimentos cirúrgicos, a idade mínima é de 21 anos. Após a cirurgia, deve ser realizado um ano de acompanhamento cirúrgico.

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